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PARTICIPE DO CONCURSO DO SAEMAC E CONCORRA A UMA ESTADIA GRÁTIS NA COLÔNIA DE FÉRIAS

Concurso vai escolher a melhor foto da temporada! Participa, trabalhador


A  temporada de verão  iniciou e o associado SAEMAC vai poder aproveitar todas as delícias da Colônia de Férias do Sindicato, em Matinhos, no litoral do estado. Totalmente modernizada, a Colônia de Férias possui uma excelente estrutura para o associado e sua família terem agradáveis momentos de lazer, descanso e diversão.   Quem já foi, aprovou. 

E para motivar ainda mais o trabalhador a utilizar esse espaço que é do associado SAEMAC, o Sindicato lança o concurso “Melhor foto do verão SAEMAC”.  Para participar, o associado ou seu dependente deve seguir os seguintes passos: 

- Curtir as redes sociais do SAEMAC (Facebook e Instagran)

- Postar uma foto tirada na Colônia em  seu perfil pessoal no Instagran ou Facebook e marcar o Sindicato com a hastag #veraosaemac

No final da temporada, o Sindicato vai postar em suas redes todas as fotos na ordem da postagem em que foram feitas pelos associados  ao longo da temporada. O associado ou dependente que tiver a foto  mais curtida vai ganhar uma estadia grátis de uma semana na Colônia. Importante lembrar que, para a estadia, continuará sendo seguido todo o regulamento da Colônia.

Então, participe, trabalhador e trabalhadora. Use toda a sua criatividade. Vamos mostrar a delícia que é nossa colônia de férias, mais um benefício do Sindicato para o associado e associada SAEMAC. 


ASSOCIADO SAEMAC: FAÇA PARTE DA CREDISANEPAR


Além de fortalecer o Sindicato com sua associação, o sócio e sócia SAEMAC tem à disposição  a CREDISANEPAR, cooperativa de crédito exclusiva para os associados SAEMAC.  

Através da CREDISANEPAR, o associado pode dispor de empréstimos com juros reduzidos e sem burocracia.  O principal benefício de ser associado à CREDISANEPAR é a economia.  Por se tratar de uma cooperativa não cobra as inúmeras taxas e juros exorbitantes que outros bancos cobram. Além disso, ao final de cada exercício,  os lucros são distribuídos aos cooperados proporcionalmente à movimentação financeira e capital integralizado junto a CREDI, que cada um possui.

Para fazer parte da CREDISANEPAR basta ser filiado ao SAEMAC, associar-se à cooperativa e adquirir cotas de participação (o valor da cota pode ser descontado em até quatro vezes na folha de pagamento). Vem para a CREDI, associado.

HISTÓRIA
A Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Funcionários da Sanepar foi constituída em dezembro de 1.998. A ideia surgiu com  a criação do SAEMAC, em 1.996, e foi sendo amadurecida aos poucos.  Em 1.999, quando todas as exigências para sua criação foram cumpridas e com a autorização do Banco Central, a cooperativa entrou em funcionamento. 21 cooperados deram início à operacionalização do sistema e, desde então, a CREDISANEPAR tem auxiliado seus trabalhadores associados. 

O QUE A CREDISANEPAR OFERECE A SEUS ASSOCIADOS:
Empréstimo pessoal com juros acessíveis e parcelamento em até 24 vezes;

Ao final de cada exercício, é feito um rateio dos lucros da Cooperativa e o valor é incluído na conta capital de cada associado; 

COMO SE FILIAR?
A CREDISANEPAR  está instalada junto à sede do SAEMAC, em Cascavel. Para mais informações e para se filiar, basta entrar em contato pelo telefone: (45) 3224.5264 ou pelo Watsapp  (45) 9.8809.5202 ou ainda pelo email credisanepar@gmail.com

UM DESENHO QUE NOS ENCHE DE ORGULHO!



Recebemos o desenho acima da nossa associada Mariana Brandes Guimarães, de Telêmaco Borba. O desenho foi feito pelo filho dela,  Pedro Brandes Guimarães Antunes, de apenas 6 anos, e trata-se de um trabalho escolar onde a professora pediu para os alunos desenharem o lugar em que mais gostam de estar. O pequeno Pedro não teve dúvidas: desenhou o portal da Colônia de Férias do Sindicato, em Matinhos, junto com a piscina e sua família visitando o lugar.  Mariana disse que todo ano vão para  a Colônia para descansar e que  Pedro, junto com sua irmã, Helena, se divertem bastante. 

A família do pequeno Pedro curtindo a colônia
“O desenho do pequeno Pedro nos enche de orgulho, pois é um reconhecimento do trabalho de melhorias que a diretoria tem realizado na colônia visando oferecer uma estrutura confortável à altura do que merecem os associados. O fato do Pedro expressar, de maneira singela, que a Colônia é o lugar preferido dele, mostra que a diretoria está no caminho certo e é uma motivação a mais para que a continuemos trabalhando firme em prol dos associados SAEMAC e suas famílias”, diz o presidente do SAEMAC, Rodrigo Picinin. 

13º SALÁRIO: CONQUISTA DOS SINDICATOS PARA O TRABALHADOR BRASILEIRO


É preciso que o trabalhador tome consciência que muitos dos direitos que possui hoje não vieram de graça. Foi preciso muita luta  dos movimentos sindicais e trabalhistas para que esses direitos se tornassem uma realidade. Uma dessas conquistas é o  décimo terceiro salário. Equivalente à remuneração mensal, a gratificação natalina foi sancionada em 13 de julho de 1962 pelo então presidente João Goulart.  

Após muita luta e pressão das entidades sindicais e demais organizações trabalhistas, a Lei 4.090/1962, de autoria do deputado Aarão Steinbruch (PTB-RJ), foi aprovada. Na justificativa do projeto de lei, o parlamentar afirmava que as empresas costumavam pagar gratificações aos funcionários perto do Natal. Segundo ele, a lei consolidaria uma situação que era comum entre os trabalhadores da iniciativa privada.

Em meio a intensas pressões de entidades empresariais e de sindicatos, a discussão durou três anos. A conturbação política do início da década de 1960 também contribuiu para estender a tramitação do projeto. Em 1961, dois anos após a proposição do projeto, o presidente Jânio Quadros renunciou. Em seguida, João Goulart tomou posse, e o Brasil passou a adotar o sistema parlamentarista.

LUTA DOS SINDICATOS
As entidades empresariais alegavam que a introdução do décimo terceiro salário traria prejuízos para as empresas e provocariam a extinção de empregos. Os Sindicatos ameaçavam greve geral e queriam a aprovação da lei, sem emendas, ainda em 1961. Em dezembro daquele ano, uma greve geral chegou a ser convocada em São Paulo, quando os deputados atrasaram a votação por 48 horas. A lei só foi aprovada em segundo turno em 24 de abril de 1962 na Câmara dos Deputados e em 27 de junho pelo Senado.

Os temores dos patrões não se confirmaram. O décimo terceiro virou uma ferramenta para impulsionar a economia, garantindo elevados volumes de vendas para a indústria e o comércio no fim de ano. Em 2021, a gratificação injetou R$ 232 bilhões na economia, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Curiosamente, o décimo terceiro salário não estava na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), legislação trabalhista promulgada pelo ex-presidente Getúlio Vargas em 1943. As reivindicações pelo décimo terceiro, no entanto, vinham de bem antes. Em 1921, há registro de greves em duas indústrias paulistas com demandas pela introdução de um abono natalino.

O décimo terceiro também ajuda a organizar a vida financeira do brasileiro. Segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), no ano passado, 34% dos brasileiros com direito à gratificação pouparam uma parte dos recursos. De acordo com o levantamento, 33% compraram presentes de Natal, 24% gastaram com festas e viagens de fim de ano, 16% usaram o dinheiro para pagarem tributos e 16% pagaram dívidas em atraso.

PAGAMENTOS
Poucos anos depois da introdução, o décimo terceiro sofreu alterações. Em 1965, a Lei 4.749 estabeleceu o parcelamento da gratificação em duas vezes: uma paga entre fevereiro e novembro e outra paga em dezembro. Em 1988, o artigo 7 da Constituição garantiu o décimo terceiro para todos os trabalhadores, urbanos e rurais, aposentados e pensionistas. Em 1998, a emenda constitucional 19, que tratou da reforma administrativa no serviço público, garantiu o pagamento da gratificação aos servidores públicos.

ATAQUE PATRONAL
Atualmente, nos últimos tempos, diante da escalada do pensamento neoliberal e de ataques aos direitos trabalhistas, o direito do 13º salário tem sido questionado e ameaçado pela direita e pela bancada patronal no Congresso Nacional. Por isso, se faz mais que necessário que os trabalhadores estejam unidos e mobilizados para lutar para defender esse direito e também se disponham em votar em candidatos alinhados com os trabalhadores nas eleições. Quanto mais representantes dos trabalhadores tivermos no governo e no Congresso Nacional, maiores são as chances de preservarmos nossos direitos. Fica ligado, trabalhador e trabalhadora.



GOVERNADOR DE SÃO PAULO MUDA O TOM E ADMITE QUE AS TARIFAS DA SABESP FICARÃO MAIS CARAS APESAR DA PRIVATIZAÇÃO



O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reconheceu que a tarifa da água deve subir, após a privatização da SABESP.

‘A tarifa vai subir, mas a privatização garante que ela vai subir num valor menor’, disse o governador na segunda-feira 11, durante evento promovido pela XP Investimentos.

Com a declaração, o governo recua do principal argumento utilizado para defender a privatização da Sabesp – o de que as tarifas ficariam mais baratas.

A desestatização da companhia foi aprovada na Assembleia Legislativa de São Paulo e sancionada por Tarcísio na sexta-feira 8. A aprovação da pauta na ALESP foi marcada por forte oposição e confrontos entre manifestantes e a Polícia.

Há duas fases principais para a privatização da Sabesp, de agora em diante. Primeiro, o projeto de lei aprovado ontem na Alesp deverá ser sancionado pelo governador Tarcísio de Freitas.

Essa não deve ser exatamente uma barreira para a concretização do processo, uma vez que o governo de SP é autor do projeto de lei e um entusiasta da privatização da companhia.

Segundo, o projeto deverá ser discutido, ainda, na Câmara Municipal de São Paulo. Como a capital paulista é responsável pela maior fatia do faturamento atual da Sabesp – cerca de 45% -, o projeto terá que ser aprovado pelos vereadores de São Paulo. A Sabesp está presente em 375 municípios paulistas.

A discussão a nível municipal é uma determinação de uma lei paulistana. Pela regra, a mudança no controle acionário faz com que a Sabesp deixe de prestar o serviço na capital e, em tese, o município deveria criar uma nova empresa de saneamento. A adesão à privatização está em discussão no legislativo. Nesta quinta-feira 7, por exemplo, uma audiência pública está marcada para tratar da posição da capital paulista sobre a privatização.

Os vereadores paulistanos poderão, também, alterar a lei e permitir, diretamente, que o serviço de saneamento seja privatizado. Dessa forma, o tema começa a ser tratado por meio de articulações políticas. No momento, a privatização da Sabesp não tem maioria favorável na capital.

Outra instância que poderá entrar em cena é o Judiciário. Deputados estaduais de oposição – especialmente, do PT e do PSOL – questionam a constitucionalidade da privatização. A Constituição paulista determina, expressamente, que cabe ao estado assegurar “condições para eficiente administração dos serviços de saneamento básico”.

Por conta disso, já correm na Justiça ações contra a proposta de privatização. Os deputados Jorge do Carmo (PT), Emidio de Souza (PT) e Guilherme Cortez (PSOL) ingressaram com ações questionando, entre outros pontos, a urgência na tramitação do projeto, a inconstitucionalidade a nível estadual, e o fato de que o projeto não tramitou em duas comissões legislativas. 

A depender da análise feita pelo Judiciário, todo o processo poderá ser anulado. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) não acatou os pedidos, mas os deputados também entraram com ações no Supremo Tribunal Federal (STF) e com representações e com representações frente ao Ministério Público (MP).

FONTE: CARTA CAPITAL

POR QUE PRIVATIZAÇÃO DA SABESP COLOCA BRASIL NA CONTRAMÃO DE OUTROS PAÍSES


 

Na noite desta quarta-feira (06/12), o Estado de São Paulo deu mais um passo em direção à privatização da Sabesp, projeto do governador Tarcísio de Freitas que foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Agora, o projeto deverá ser sancionado pelo governo estadual, que pretende depois disso negociar com municípios a renovação de contratos de concessão até 2060 e definir um modelo para tarifas e investimentos.

A previsão é que todo o processo de desestatização — como vem chamando o governo de Tarcísio —, incluindo a oferta pública de ações, seja finalizado até julho de 2024.

Com isso, o Estado segue tendência de outros no país que já passaram a gestão de serviços de água e saneamento para o controle privado, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Enquanto a tendência de privatização de sistemas de saneamento caminha a passos largos no Brasil, crescem no mundo exemplos que vão na direção oposta, devolvendo a gestão das águas ao controle público após períodos de concessão privada.

Entre 2000 e 2023, houve 344 casos de “remunicipalização” de sistemas de água e esgoto mundo afora, a maioria na Europa, de acordo com levantamento do banco de dados Public Futures (futuros públicos; publicfutures.org), coordenado pelo Instituto Transnacional (TNI), na Holanda, e pela Universidade de Glasgow, na Escócia.

De acordo com Lavinia Steinfort, coordenadora do projeto de Alternativas Públicas do TNI, essas reversões têm sido motivadas por problemas reincidentes em experiências de privatização e parcerias público-privadas (PPPs), como serviços inflacionados, falta de transparência e investimentos insuficientes.

“A experiência mostra repetidamente como a privatização gera aumentos de tarifas e torna a água menos acessível à maioria da população”, afirma a pesquisadora e geógrafa política à BBC News Brasil.

De acordo com Steinfort, frequentemente a remunicipalização é motivada por saltos nos preços após concessões privadas. Ela cita os exemplos de Paris, onde as tarifas de água aumentaram 174% entre a privatização, em 1985, e 2009; Berlim, onde subiram 24% entre 2003 e 2006; e Jacarta, capital da Indonésia, onde triplicaram entre 1997 e 2015, quando um processo judicial movido por cidadãos obteve uma primeira vitória judicial para anular contratos com o setor privado.

Além disso, investimentos privados são movidos por metas de lucros, o que a seu ver termina por comprometer o acesso a um direito humano essencial que exige investimentos volumosos que não podem depender de gerar retorno financeiro.

GESTÃO PÚBLICA PREVALECE
Cidades como Berlim, Paris, La Paz, Maputo e Buenos Aires são exemplos de lugares que retomaram o controle público sobre seus sistemas de saneamento, algumas após lutas judiciais ou sociais, revertendo processos de privatização – ao contrário da tendência que se vê no Brasil.

“A tendência a privatizar se baseia em uma ideologia ultrapassada de que o setor privado é mais eficiente. Hoje, temos evidências crescentes de que não é o caso”, afirma Steinfort, ressaltando que a preocupação se torna ainda mais premente com o agravamento da crise climática, o avanço de governos da extrema-direita no mundo e ameaças cada vez maiores ao direito humano à água.

De acordo com estudos da TNI, cerca de 90% dos sistemas de água no mundo são de gestão pública. Dados da Federação Mundial de Operadores Privados da Água, a AquaFed, indicam que cerca de 10% da população mundial é atendida por sistemas privados.

A privatização de serviços de água e esgotamento sanitário começou a se expandir nos anos 1980, em muitos casos impulsionada por cenários de austeridade, crises fiscais e instituições financeiras internacionais. Entretanto, a gestão privada ainda representa uma fatia pequena do setor.

“É uma desproporção enorme”, afirma o pesquisador Léo Heller, da Fiocruz Minas, ex-relator especial da ONU para o direito à água e ao saneamento. Mundialmente, ele diz que não há uma movimentação em curso para inverter esse balanço.

“O Brasil hoje é a grande exceção do mundo”, afirma Heller. “A tendência mais forte tem sido de fortalecer sistemas públicos ou de remunicipalizar sistemas privados. Há iniciativas de privatização, mas menos que no passado. A tendência predominante tem sido de se afastar de sistemas privados”, afirma ele, que é coordenador de relações internacionais do Observatório Nacional para Direitos a Água e Saneamento (Ondas).

Segundo Heller, não há um padrão linear entre gestão pública ou privada de sistemas de água baseado no nível de riqueza ou desenvolvimento de um país.

“Tanto países mais pobres quanto os mais ricos implantaram sistemas privados. Países estatizantes como a França privatizaram massivamente, enquanto os Estados Unidos, com toda a sua tradição neoliberal, privatizaram muito pouco”, exemplifica.

Na Europa, países escandinavos, Bélgica e Holanda mantêm sistemas públicos; França e Espanha são exemplos de países onde sistemas privados se proliferaram.

“Hoje, o Brasil é o único país que está ingressando de forma determinada e com velocidade em direção à privatização. O que surpreende, aqui, é que não são casos individuais, impulsionados por características locais, mas sim um direcionamento de política pública, estimulado pelo governo através de incentivos do BNDES”, considera Heller.

INVESTIMENTOS PARA UNIVERSALIZAR ACESSO
No Brasil, a concessão de serviços de água e esgoto à iniciativa ocorreu a partir de 1995, com o caso de Limeira, no interior de São Paulo. A cidade foi a quinta colocada no ranking de melhor saneamento do país feito pelo Instituto Trata Brasil para 2023.

O movimento ganhou mais impulso a partir de 2016, quando o BNDES lançou um edital para estimular a concessão de serviços públicos e a criação de PPPs, conquistando a adesão de 18 estados interessados em aderir ao programa de concessão de companhias de água e esgoto.

A concessão da Cedae, no Rio de Janeiro, que teve o pontapé inicial em 2017, foi o começo da onda. Em 2020, a lei 14.026, do marco do saneamento básico, sacramentou a direção, estimulando a entrada da iniciativa privada no setor de água e esgoto.

Defensores da abertura dos serviços de água e esgoto ao capital privado destacam o enorme déficit de saneamento no Brasil e a falta de recursos do Estado brasileiro para suprir o volume de investimentos necessários.

De acordo com o Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (Snis), hoje, 16% da população não tem acesso à água tratada – quase 35 milhões de brasileiros – e 44% não tem acesso a redes de esgoto – quase 100 milhões de pessoas.

O percentuais estão muito longe das metas estabelecidas pelo marco do saneamento: até 2033, 99% dos domicílios brasileiros devem ter acesso à água tratada, e 90% devem ser atendidos por redes de esgoto.

“Se o Estado não está conseguindo fazer os investimentos necessários, não tem por que a população ficar esperando 20 ou 30 anos para a situação fiscal melhorar se o poder público pode chamar parceiros privados para acelerar esse investimento”, defende Percy Soares Neto, diretor executivo da Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon).

Para alcançar as metas do marco do saneamento básico, estudo da Abcon e da KPMG estima que sejam necessários R$ 50 bilhões de investimentos por ano no setor, contra os cerca de R$ 20 bilhões que foram feitos, em média, nos últimos anos.

“Uma coisa é fazer essa discussão entre o público e o privado em lugares onde a população já tem acesso universal a água e esgoto. Outra coisa é o contexto brasileiro, onde metade segue sem esgoto tratado. Temos um enorme problema social e ambiental, que precisa ser resolvido com a maior celeridade possível”, argumenta.

Levantamento da Abcon estima que, entre os brasileiros que recebem menos de um salário mínimo por mês, 75% são pessoas que não têm acesso a redes de esgoto.

“A discussão urgente que precisa ser feita é como levar este serviço para quem não tem”, defende.

De acordo com a Abcon, o setor tem 178 contratos privados no Brasil, atendendo a 850 municípios, entre concessões plenas (72%), PPPs (12%) e concessões parciais (13%).

DIFÍCIL VOLTAR ATRÁS
Centro de pesquisas com sede na Holanda, o Instituto Transnacional começou a mapear casos de desprivatização de sistemas de água em 2007, compilando ocorrências a partir do ano 2000.

Hoje, o levantamento é coordenado em parceria com a Universidade de Glasgow e tem colaboração de outras 17 organizações, que agregam casos ocorridos no mundo todo à base de dados para pesquisa colaborativa “Public Futures”.

O levantamento passou a abranger outros serviços que saíram das mãos privadas e voltaram ao poder público, abrangendo setores como fornecimento de energia elétrica, saúde e educação. Nesse leque mais amplo, foram 1.701 casos de desprivatização ou estabelecimento de novos serviços públicos de 2000 para cá, em 79 países diferentes.

Uma “remunicipalização” ou reestatização pode ocorrer de maneiras variadas. 
Os casos envolvem desde privatizações desfeitas, com o poder público comprando o controle que detinha “de volta”; a rupturas de contratos de concessão, o que pode acarretar multas pesadas ao poder público.

Há a possibilidade também de resgate da gestão pública após o fim de um período de concessão, o que exige muito planejamento para retomar o serviço.

A pesquisadora da TNI Lavinia Steinfort frisa que, seja qual a forma, a reversão não é fácil. Há casos que envolvem lutas árduas e longos períodos de engajamento de cidadãos, batalhas judiciais e grandes ônus aos cofres públicos, seja por multas impostas por quebras de contrato ou por litígios dispendiosos.

'CONTAGIOSO REMUNICIPALIZAR'
Um exemplo é o caso de Berlim, onde o governo privatizara 49,99% do sistema hídrico em 1999. A medida fora extremamente impopular e, após anos de mobilização de moradores – e um referendo em 2011 –, foi revertida por completo em 2013. Foi uma vitória popular, mas por outro lado o Estado precisou pagar 1,3 bilhão de euros para reaver o que já lhe pertencia. A dívida está sendo paga pela população ao longo de 30 anos.

Por outro lado, Steinfort aponta que a mobilização na capital alemã acabou desembocando em movimentos em prol da habitação e do fornecimento de eletricidade, “mostrando como é contagioso remunicipalizar, democratizar e retomar o controle público de serviços essenciais”, afirma.

Para Léo Heller, Estados e municípios brasileiros estão ingressando em modelos de concessão muito duradouros e difíceis de reverter. Ele cita o exemplo da Cedae, que teve concessão de 35 anos.

“É uma decisão que vai repercutir por quase nove mandatos políticos”, destaca.

“Há grande preocupação quanto à performance dessas empresas, em que medida vão investir, com a elevação de tarifas, com a redução do alcance de tarifas sociais e com o acesso das populações mais pobres à água, em um país com um número enorme de pessoas vivendo na pobreza”, diz Heller.

Entretanto, o diretor executivo da Abcon, Percy Soares Neto, afirma que o Estado não abre mão do domínio sobre o setor ao firmar contratos privados.

“O poder concedente sempre será público. O Estado segue sendo o dono do serviço. O poder regulador também é uma entidade pública. Ter estruturas reguladoras fortes é a melhor forma de ter um bom desempenho no contrato com o privado”, afirma.

“O parceiro privado é convocado para acelerar o investimento que o poder público está com dificuldade para fazer. Melhorar a eficiência, a governança. Depois disso feito, transcorrido o contrato, o governo pode optar por retomar o controle do serviço. Faz parte do jogo.”

MOBILIZAÇÃO EM TORNO DA ÁGUA
Para Lavinia Steinfort, movimentos sociais defendendo o acesso à água são dos mais vibrantes e efetivos que vê globalmente.

“O acesso à água é tão fundamental que engaja as pessoas em torno deste bem comum absolutamente necessário à sobrevivência”, afirma.

Ela cita como exemplo o movimento que conseguiu frear em 2018 a privatização em Lagos, capital da Nigéria, unindo grupos de mulheres, religiosos, sindicatos, comunidades.

Outro exemplo recente foi Terrassa, a 30 quilômetros de Barcelona, na Espanha. Em 2018, após cinco anos de luta, a cidade conseguiu obter a remunicipalização dos sistemas de água e esgoto após amplo engajamento social.

O processo envolveu a aprovação de um pacto social que delineia valores e pilares para o sistema público de água, e levou à criação do Observatório de Águas de Terrassa, reunindo grupos da sociedade civil, políticos, funcionários e técnicos da área de saneamento, entre outros.

“O que é interessante neste caso é que a remunicipalização foi um ponto de partida para criar uma nova cultura em torno da água, não apenas em termos de conscientização, mas também na criação de mecanismos de participação de integrantes do observatório nos processos estratégicos de tomada de decisão, como por exemplo em relação a tarifas e investimentos”, destaca Steinfort.

“Isso está inspirando outros locais que estão lutando pela remunicipalização e por modelos mais democráticos de gestão da água.

FONTE: BBC NEWS BRASIL – 6\12\2023

TRABALHADOR CONTRIBUINTE NA RUA: SEDE DA FUSAN É VENDIDA PARA A JUNTA COMERCIAL


É, a sede da FUSAN está vendida. O anúncio da venda foi feito no último dia 24 de novembro. Segundo o comunicado do governo, o prédio foi vendido para a Junta Comercial do Estado (JUCEPAR). A notícia foi muito comemorada pelo governo do Estado e pela JUCEPAR. Foi difundida na Agência de Notícias do Estado e para vários veículos de imprensa como uma grande conquista da Junta Comercial, que vai melhorar os atendimentos e fortalecer o nome da instituição governamental. 

Pois é, enquanto uns riem, outros choram. Enquanto a JUCEPAR celebra a conquista da sua nova casa, o trabalhador sanepariano, contribuinte da FUSAN\FUNDAÇÃO, fica a ver navios, sem um local próprio para atendimento, vendo o patrimônio construído com seu dinheiro ser dilapidado. Incrivelmente, até agora a diretoria da FUSAN\FUNDAÇÃO não sabe para onde vai. É mole? Viraram um bando de sem teto de luxo. Não tem onde ficar, mas os altos salários e demais benesses continuam caindo na conta. Entregaram  o prédio da instituição por R$ 10 milhões, dinheiro que não cobre nem o rombo de R$ 80 milhões anunciado em 2022. E agora vão  precisar gastar a grana com aluguel. Mas, claro, para a diretoria isso não é um problema, afinal, o dinheiro não sai do bolso deles, o contribuinte sanepariano que pague. 

O fato é que o jogo foi tão bem amarrado que o prédio saiu da mão do trabalhador sanepariano e foi para a mão do Estado.  Afinal, o  governador em exercício, Darci Piana,  é amigo do pessoal da JUCEPAR, amigo também do pessoal da diretoria da FUSAN|FUNDAÇÃO e é aquela coisa, né.... tem situações em que a frase “amigos, amigos, negócios à parte”, não se aplica. Às vezes, a amizade é um grande pulo do gato para realização de negócios. 

Assim, como o governo comemorou a notícia da aquisição da JUCEPAR, nós também, não podemos deixar de dar os parabéns para diretoria da Junta Comercial. Afinal, foram espertos. Viram uma oportunidade e não titubearam. Isso sim é gestão eficiente. Uma diretoria  que é comprometida  busca aumentar o patrimônio, não causa rombo, busca sempre melhorar os serviços e não piorá-los. Isso se chama competência. Mas é aquela coisa, né: tem gente que tem e tem quem não tem. Quem paga o pato da falta de competência é o contribuinte sanepariano que está na rua agora. Uma vergonha.