A indicação da economista Pricilla Maria Santana para assumir a Secretaria da Fazenda do Paraná no governo de Sergio Moro acende um sinal de alerta sobre os rumos das empresas públicas estaduais, especialmente a Sanepar.
Anunciada nesta terça-feira (20), Pricilla é atualmente secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul e possui em seu currículo participação em processos de privatização e desestatização.
VENDA DA CORSAN
Um dos pontos que merecem atenção é sua atuação no governo gaúcho durante a conclusão da privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), em julho de 2023. Embora o processo de venda tenha começado antes de sua chegada à Secretaria da Fazenda, a pasta sob sua gestão acompanhou o ingresso e a destinação de aproximadamente R$ 3,96 bilhões provenientes da operação.
VENDA DA CEMAR
No ano 2000, Pricilla era coordenadora-geral de Serviços Públicos e Infraestrutura do Ministério da Fazenda quando a pasta emitiu um parecer técnico recomendando a operação que levou à privatização da Cemar (Companhia Energética do Maranhão). O grupo norte-americano PPL Global arrematou a estatal por R$ 522 milhões.
Depois da privatização, a Cemar entrou em colapso financeiro e o Maranhão enfrentou apagões e racionamentos no fornecimento de energia por quase dois anos. Em agosto de 2002, a Agência Nacional de Energia Elétrica decretou intervenção administrativa na Cemar, que durou até 2004, Houve a renegociação da dívida com a Eletrobras e a companhia passou a ser gerida pelo Grupo Equatorial.
E A SANEPAR? QUAL SERÁ O FUTURO DA ÁGUA DOS PARANAENSES?
A escolha de uma economista com experiência em processos de desestatização para uma das principais pastas do governo levanta questionamentos sobre a política que será adotada em relação ao patrimônio público paranaense.
Durante a campanha eleitoral, Moro afirmou que não havia compromisso de privatizar a Sanepar, mas defendeu um chamado "choque de eficiência" na companhia e deixou aberta a possibilidade de futuras discussões sobre o tema, mediante estudos.
“A experiência da privatização já mostrou que o processo traz precarização e corte de empregos, além de aumento de tarifa. Foi assim na SABESP, na Copel e na propria CORSAN. Por isso, a indicação da nova secretaria com o histórico que apresenta reforça que o novo governo esclareça suas intenções em relação à Sanepar”, enfatiza o presidente do SAEMAC, Rodrigo Picinin.












