Matéria do Jornal Metrópoles mostrou que, após uma revisão contábil, a AEGEA — empresa que vem liderando privatizações do saneamento no Brasil — constatou o desaparecimento de cerca de R$ 5 bilhões do patrimônio e reduziu significativamente o lucro divulgado anteriormente, evidenciando fragilidades na gestão e na transparência do setor privado.
Isso não é um detalhe técnico. É um alerta grave. Empresas privadas que operam serviços essenciais, como água e esgoto, lidam diretamente com a vida da população. Quando há instabilidade financeira, quem sofre não são apenas os investidores, mas principalmente os usuários e os trabalhadores.
E quando o assunto é corte de custos, os trabalhadores costumam ser os primeiros atingidos. A experiência em processos de privatização mostra que o caminho normalmente passa pela precarização das condições de trabalho, pressão por metas abusivas, redução de direitos, terceirizações e arrocho salarial. Ou seja: além da população correr o risco de pagar tarifas mais caras, os trabalhadores também acabam pagando a conta da má gestão privada.
Outro ponto grave é que o saneamento privatizado passa a ficar sujeito às oscilações do mercado financeiro. Decisões estratégicas deixam de priorizar o planejamento de longo prazo e a universalização do serviço para atender prioritariamente interesses de rentabilidade e retorno aos investidores.
Para uma empresa que busca construir uma imagem ligada ao ESG e à responsabilidade social, permanecer “de mãos dadas” com um modelo cercado de polêmicas pode representar desgaste perante a população e os próprios trabalhadores.
“Esse caso da AEGEA é só mais uma demonstração da fraude que representam muitas privatizações no Brasil. Não melhoram a vida da população e ainda deixam trabalhadores e usuários expostos às consequências da má gestão privada. O saneamento não pode ser tratado como ativo financeiro. Água é direito básico e serviço essencial e é por isso que somos contrários à privatização”, resume o presidente do SAEMAC, Rodrigo Picinin.
