Além de apresentar um reajuste pífio, diretoria da empresa ainda quer mudar forma de negociação
É isso mesmo, sanepariano e sanepariana. R$ 10: Isso é o que você vale para a diretoria da Sanepar. A proposta de reajuste salarial apresentada nesta quarta-feira de Cinzas (18/02) pela empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026 não traz avanço nenhum para o trabalhador e escancara a preocupação da diretoria diante do sanepariano. Ou seja, nenhuma.
O reajuste salarial proposto segue apenas a reposição pelo INPC, com piso mínimo de R$ 160,00 - valor que, na prática, representa ganho real extremamente limitado para grande parte da categoria. Para quem ingressa com salário inicial mais baixo, o aumento real fica próximo de apenas R$ 50,00, o que demonstra um reconhecimento insuficiente diante das responsabilidades e da dedicação diária dos trabalhadores.
É importante lembrar que, no ano passado, a empresa já havia adotado a mesma lógica, com piso de R$ 150,00. Agora, o acréscimo foi de apenas R$ 10,00. A pergunta que fica é: esse é o reconhecimento da diretoria para quem mantém a empresa funcionando todos os dias?
FALTA DE RESPEITO COM AS ENTIDADES SINDICAIS
Outro ponto grave foi a mudança drástica na forma de negociação. Diferentemente de anos anteriores, a empresa separou as entidades sindicais e limitou-se a enviar a minuta por e-mail, sem participação direta de diretores nas discussões do ACT.
A condução do processo demonstra desrespeito com os trabalhadores e com o papel legítimo dos Sindicatos na construção coletiva dos acordos. Negociação coletiva exige diálogo direto, transparência e responsabilidade política algo que ficou ausente nesta proposta.
ESCALAS DE TRABALHO: TENTATIVA DE LEGITIMAR RETROCESSOS
A proposta também menciona explicitamente escalas como 5x1 e 4x2, associando-as ao adicional de escala de 5%. Embora apresentada como avanço, a redação representa um grave retrocesso ao tentar legitimar modelos de jornada prejudiciais à qualidade de vida da categoria.
Enquanto o debate nacional avança para superar jornadas exaustivas, a diretoria da Sanepar prefere andar na contramão da história com a intenção de validar práticas que aprofundam a precarização. A escala 5x1, tão criticada quanto a 6x1, não pode ser naturalizada dentro do acordo coletivo sob o pretexto de benefício financeiro.
Nossa luta sempre foi por melhores condições de trabalho e por jornadas mais humanas não pela institucionalização de regimes que aumentam o desgaste físico e mental dos trabalhadores.
PRORROGAÇÃO DA HORA NOTURNA: SANEPAR QUER REGULAMENTAR PREJUÍZO PARA OS TRABALHADORES
Outro ponto que merece atenção é a proposta sobre a prorrogação da hora noturna. A diretoria quer regulamentar o pagamento da jornada apenas para os trabalhadores que iniciam a jornada antes da 1h da manhã. Acontece que a maioria dos trabalhadores são acionados para trabalhar depois desse horário até as 8h da manhã com a empresa atualmente não efetuando pagamento dessa jornada, o que é contra a lei e tem sido uma das brigas que o SAEMAC mantêm a anos para ser regularizada.
Com a proposta de inserir no acordo coletivo uma regra que condiciona o pagamento da prorrogação da hora noturna apenas aos trabalhadores que iniciem a jornada até 1h da manhã, a empresa tenta se livrar da obrigatoriedade de pagar adicional aos trabalhadores que iniciem a jornada após esse horário.
Na prática, isso representa um retrocesso, pois cria-se um critério que, embora apresentado como regulamentação, funciona como um obstáculo para restringir o alcance do benefício.
CARTAS NA MESA: OU O TRABALHADOR SE UNE OU VAI CONTINUAR CONTANDO MOEDA NO FINAL DO MÊS
“Infelizmente, fica claro como a diretoria da Sanepar quer continuar com a política de precarização, símbolo do governo Ratinho Junior. O que está posto é que ou o trabalhador se une com Sindicato para lutar por um reajuste decente e poder dar uma condição digna para sua família ou vai continuar tendo que contar moeda no final do mês. É simplesmente isso. De nossa parte, seguiremos firmes na defesa de um ACT que represente avanços concretos e reconheça o esforço dos trabalhadores’, diz o presidente do SAEMAC, Rodrigo Picinin.
CONFIRA A PROPOSTA DA SANEPAR NA ÍNTEGRA:



