Saneparianos da gerência Sul de Curitiba estão tendo que se organizar para montar cestas básicas para ajudar trabalhadores dessas terceirizadas. Situação evidencia a irresponsabilidade da diretoria e o fracasso dos processos de terceirização e privatização para os trabalhadores
Vergonhosa! É assim que podemos descrever a situação dos trabalhadores de algumas empresas prestadoras de serviço para a Sanepar. Além do atraso de salários e benefícios, trabalhadores sofrem também com falta de equipamentos para executar os serviços e com o acúmulo de tarefas muitas vezes sendo obrigados a executar um que seria para três ou quatro trabalhadores.
Em vários municípios da gerência Sul de Curitiba, a empresa ESAQ terminou o contrato com a Sanepar e deixou os trabalhadores ao Deus dará, sem pagar o acerto aos funcionários. O Sindicato entrou em contato com a diretoria da Sanepar que, como tinha um valor a ser ainda repassado para a ESAQ, sugeriu transferir o valor diretamente para os trabalhadores para garantir os acertos e direitos. Situação canalhamente negada pela ESAQ. O imbróglio se encontra então na justiça sabe-se Deus quando os trabalhadores conseguirão receber seus direitos.
Inacreditavelmente, a Allonda, empresa terceirizada que assumiu os serviços da ESAQ continua no mesmo caminho. Jogou os trabalhadores na fogueira não fornecendo material e ferramentas de trabalho, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e nem transporte. Nas primeiras semanas foram os trabalhadores da Sanepar que tiveram que dar uma de UBER para buscar e deslocar os funcionários da Allonda. Além disso, os saneparianos denunciam que serviços que deveriam ser executados por dois ou três trabalhadores estão tendo que ser executados por apenas um funcionário da Allonda. Em munícipios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), como Quintandinha, Rio Negro e Lapa, não há equipes nem material. Em algumas situações, os serviços estão tendo que ser executados pelos próprios saneparianos. Nem internet para executar os serviços está à disposição dos funcionários da Allonda. Os trabalhadores são obrigados a se deslocar para a base da gerência sul para poderem utilizar a internet para programar os tablets. Situação que atrasa e precariza todo o serviço, o que, por conseguinte, respinga no nome da Sanepar.
Para piorar a situação, a Allonda atrasou o vale e o salário dos trabalhadores, que estão tendo que esperar a boa vontade da empresa para receber.
Dentro da lógica de terceirização entra a privatização. Não é novidade para ninguém que a privatização não só prejudica a população como também os trabalhadores do serviço púbico. O interesse é somente pelo lucro à qualquer custo, sem se importar com o serviço prestado e com a situação dos funcionários. É desemprego, baixos salários e menos direitos. Torçamos e pressionemos para que o novo governo tenha atitude para barrar esses processos precarizantes.
