O que esperar da economia em 2016

No não saudoso tempo em que os militares saíram dos quartéis e se instalaram no Palácio do Planalto, corria a seguinte gracinha de mau gosto: ao assumir, o primeiro general disse “o Brasil está à beira do abismo”; o general seguinte avisou: “o país deu um passo à frente”. E o terceiro general garantiu: “ninguém segura o Brasil”.

Será que em 2016 ninguém segurará o Brasil nesta definição abismal? Segundo o Diretor de Política Econômica do Banco Central de 2000 a 2003, atualmente economista-chefe do maior banco privado brasileiro, a situação não é boa, mas também nem tão ruim assim.

Em palestra ao mercado financeiro ontem, Ilan Goldfajn afirmou que a situação mundial está melhor, uma vez que os EUA já estão planejando o aumento da taxa de juros no próximo mês para equilibrar o ritmo de crescimento. Na Europa, a recessão praticamente cessou e a China já estaria no processo de  uma estabilização de um “novo normal” da taxa de crescimento de 6 a 7% ao ano, ainda alto, mas muito inferior aos 10% ao ano registrados na época de glória para o Brasil, quando houve o boom das commodities.

No plano interno o ajuste da taxa de câmbio na faixa de R$ 3,80 já está formatando um equilíbrio no movimento de exportações e importações. Outro ponto positivo seria de que os valores de combustíveis já estão equilibrados, assim como o extraordinário aumento da tarifa de energia elétrica já alcançou seu patamar e não há, esperamos, surpresas à frente.

O mercado de trabalho, entretanto, ainda está péssimo, com o desemprego tendo alcançado uma taxa média de 9%, caminhando para 10%, além da queda do salário real e da baixa produtividade da indústria. Uma parcela significativa do aumento do desemprego teria relação com as grandes empresas envolvidas na Operação Lava-Jato, sobretudo aqui no Rio de Janeiro onde somos petróleo-dependentes. Como não poderia deixar de ser, o nível de investimento tem caído por nove trimestres seguidos.

Como todos sabemos, nossa estagnação dupla está no lado político e fiscal, dado que não se consegue uma definição para o gigantesco ajuste fiscal necessário para estabilizarmos o nível da nossa dívida bruta, cujo patamar já nos rendeu notas negativas das agências de rating.

Diante do exposto, Goldfajn concluiu apresentando quatro possíveis cenários para a economia brasileira nos próximos anos:

(1) Consenso político, com todos os políticos da situação e oposição correndo para o abraço, obviamente tão provável como a existência do Coelho da Páscoa e do Papai Noel;

(2) Algum alívio, nas situações fiscal e política;

(3) Pequena deterioração;

(4) Forte guinada populista com a liberação de crédito, transferências de renda para a população e aceleração da inflação, situação que seria certamente desastrosa.

A perspectiva mais provável é ficarmos numa oscilação entre os cenários Dois e Três, em que poucos alívios seriam acompanhados de alguns recuos.

Como o Papa é argentino, e parece que sob proteção divina está finalmente reiniciando a América Latina fora do populismo irresponsável a partir de Buenos Aires, estaria na hora dele intervir e pedir a Deus que volte a ser um pouquinho brasileiro.

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