Indústria propõe ações impopulares a presidenciáveis

Depois de receber mais de 20 pacotes, a indústria pediu ontem mudanças na política econômica, reformas complexas que estão há anos no papel, e defendeu medidas impopulares nas relações trabalhistas e na Previdência Social, como uma nova fórmula de reajuste do salário mínimo e definição de uma idade para aposentadoria. Com o objetivo de convencer os presidenciáveis a encampar essa agenda, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresenta amanhã estudos temáticos a Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) defendendo a “liderança” do próximo presidente em temas espinhosos.

Até agora, os temas não foram atacados diretamente pelos candidatos. O programa do PT cita o crescimento do mínimo como uma das conquistas de seu governo, sem prever alterações na fórmula de reajuste. Em suas diretrizes, Campos não menciona a possibilidade de alterar o reajuste. Já no programa de Aécio, a única menção ao mínimo garante a continuidade dos ganhos reais.

Também não há propostas específicas sobre alterações em benefícios previdenciários. Aécio pretende enfrentar o déficit com o aumento da atividade econômica. Já Campos chegou a dizer, em maio, que seria “natural” a elevação da idade mínima da aposentaria conforme a expectativa de vida da população avança, mas disse que a postura da campanha do PSB sobre o assunto ainda não estava determinada.

Estagnada desde 2010 e sob risco de encolher novamente neste ano, a indústria elaborou 42 estudos sobre os itens que mais prejudicam a competitividade e preparou um kit de propostas de regulamentação. “Se quiser, é só assinar e mandar para o Congresso Nacional”, disse o diretor de Políticas e Estratégia da entidade, José Augusto Coelho Fernandes.

Candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff é, dos sabatinados, a que estará mais pressionada, diante dos resultados não alcançados na sua administração. A começar pelo ponto número um da agenda da entidade, a reforma tributária. Em 2010, candidata à eleição, ela esteve na entidade e classificou o sistema de impostos e contribuições do país de “caótico”. Quatro anos depois, o tema segue como uma “frustração” do setor produtivo.

Terceirização

Outra das bandeiras da CNI é a regulamentação do trabalho terceirizado. O que para a indústria é uma modernização das relações trabalhistas é, do ponto de vista dos sindicatos, precarização com perda de direitos. A CNI defende também o fim da aposentadoria diferenciada para mulheres e professores, que hoje passam à inatividade cinco anos mais cedo.

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