Educadores de Curitiba encerram greve após promessa de elaboração de plano de carreira

A greve dos educadores dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) terminou por volta das 16 horas deste sábado, em assembleia da categoria em frente à Prefeitura de Curitiba. Os educadores voltam ao trabalho já nesta segunda-feira (24). O prefeito Gustavo Fruet (PDT) se comprometeu a iniciar, na segunda, uma força-tarefa junto com as secretarias de Educação e de Recursos Humanos para apresentar cenários aos educadores que permitam a elaboração de um plano de carreira, com redução da carga horária e isonomia à categoria. Os resultados devem ser apresentados à categoria e ao prefeito em 8 de abril.

Na assembleia deste sábado, os educadores também aprovaram novo indicativo de greve e podem começar nova paralisação no mesmo dia 8, caso os resultados apresentados não estejam de acordo com as reivindicações da categoria. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc) afirmou, via assessoria de imprensa, que está "dando um voto de confiança" para a gestão municipal.

Também ficou combinado que, nesta segunda-feira, representantes do Sismuc vão se reunir na Procuradoria Geral do Município para negociar o pagamento da multa de cerca de R$ 240 mil. Na última quarta-feira (19), a Justiça determinou que a greve era ilegal e estipulou a multa de R$ 80 mil por dia de descumprimento. De acordo com a assessoria de imprensa do Sismuc, caso não haja conciliação durante a reunião para o pagamento da dívida, o sindicato vai recorrer da decisão na Justiça.


Reunião

O compromisso da prefeitura foi firmado em reunião com grupo de educadoras que havia se acorrentado ao corrimão da entrada do Palácio 29 de Março, sede da prefeitura da cidade por volta das 21h30 desta sexta-feira (21), quando iniciaram também uma greve de fome. A manifestação era para forçar uma reunião com o prefeito e negociar as reivindicações da categoria, em greve há cinco dias.

Depois de aproximadamente uma hora de conversa, ficou acertado que serão retomadas as negociações entre representantes da prefeitura e do sindicato para estudar os impactos financeiros da proposta de reduzir a jornada de trabalho dos educadores em CMEIs, de 40 para 30 horas semanais.

“É uma decisão (reduzir a jornada de trabalho) que não pode ser tratada como um simples ato de vontade. É preciso responsabilidade para avaliar o impacto, que terá efeito permanente”, disse o prefeito Gustavo Fruet durante a reunião, segundo o site da prefeitura de Curitiba.

Também participaram da reunião os secretários da Educação, Roberlayne Borges Roballo; de Governo, Ricardo Mac Donald Ghisi; e de Recursos Humanos, Meroujy Cavet; e o superintendente da Secretaria de Recursos Humanos, Christian Luiz da Silva.

Acorrentadas

Os educadores reivindicam, principalmente, a redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais, o que a aproximaria da carga horária praticada pelo magistério nas escolas municipais. Participaram do protesto em frente à prefeitura Irene Rodrigues, diretora do Sismuc; Ana Paula Cozzolino, coordenadora do sindicato; Fabiula Rizzardi (CMEI Vila Real); Poliana Silva (CEMEi Xaxim); e Alessandra Oliveira (CMEI Vila Torres).

Na sexta, a prefeitura publicou nota na qual afirmava que o atendimento à pauta de reivindicações dos educadores traria um custo de R$ 200 milhões anuais, o que inviabilizaria outros investimentos na área. A informação foi rebatida por educadores. “Estamos negociando desde maio do ano passado e, no final do ano, eles nos disseram que a redução da carga traria um custo de 72 milhões. Como podem divulgar que agora seriam R$ 200 milhões?”, disse Fabiula.

Outra informação da prefeitura rebatida pelos grevistas foi a de que apenas sete CMEIS teriam ficado integralmente fechados na sexta, dia que marcou o quarto dia de greve. “Temos aproximadamente quatro mil educadores efetivamente atuando nos CMEIS e mais de dois mil aderiu ao movimento. Como pode se explica que apenas sete CMEIS ficaram fechados?”, indagou Ana Paula.

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