Consciência negra - Todo dia é dia

O Dia Nacional da Consciência Negra foi escolhido 20 de novembro em homenagem a Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, que morreu nesta data, no ano de 1695.

Zumbi representou a luta do negro contra a escravidão no período do Brasil-Colônia e morreu em combate, defendendo a população de seu quilombo – local que abrigava escravos fugitivos.

Celebrada desde 2003, a partir de uma lei que também instituiu o ensino de história e da cultura afro-brasileira nas escolas, a data visa valorizar a história dos negros, assim como suas lutas e conquistas.

No entanto, apesar da luta de Zumbi, da abolição da escravatura em 1888 e de outros avanços como a lei contra o racismo ou a lei de cotas, infelizmente, a população negra ainda vive o que se pode chamar de escravidão moderna em muitas situações.

De acordo com pesquisa elaborada pelo Instituto Locomotiva, por exemplo, entre brancos acima de 25 anos, 18% têm ensino superior, com renda média de R$ 6.702. Já entre os negros, apenas 6% têm graduação, e a renda média é de R$ 4.810.

Essa diferença piora quando entra a questão de gênero. A pesquisa aponta que entre as mulheres brancas com ensino superior (21%), a renda média é de R$ 3.981. Já entre as mulheres negras, apenas 9% têm diploma, com a menor renda média (R$ 2.918).

Ora, se o emprego formal e o valor do salário já eram mais baixos para os negros, o que poderá acontecer agora, após a reforma trabalhista? A precarização do trabalho será geral, mas, obviamente, atingirá de forma mais brutal quem já sofre discriminações. 

Outro exemplo de retrocesso é a suspensão pelo governo das titulações de áreas quilombolas, uma ameaça de perda de garantias, de moradia e, principalmente, da dignidade dessa população.

Séculos depois da luta do líder do Quilombo dos Palmares, a busca pela inserção da população negra no mercado de trabalho de forma igualitária e pelo fim de qualquer tipo de racismo e preconceito continua e é diária. Os tempos mudaram, a tecnologia avançou, novas situações se criaram, mas a diferença ainda existe.
Por tudo isso, espera-se que essa data promova – e mantenha – a reflexão e a consciência humana sobre a importância do povo africano na formação da cultura nacional, nas áreas social, econômica e política do Brasil.


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